Saturday, July 2, 2016

O PRÍNCIPE FLAMEJANTE (LIVRO II)


Ilustração e capa por Murilo Araújo
Sinopse
Cã descobre para onde Lílat foi levada. Agora, sua missão é salvar a princesa.
Tal como acontece na primeira parte da série, nosso herói precisa passar por regiões inóspitas, enfrentar inimigos implacáveis e grande perigos.
Dentre os membros do grupo que segue com Cã nessa nova aventura, está Áspio, príncipe dos silfos e portador do cristal fogo.
Belo, sagaz, sedutor e poderoso, Áspio tem como objetivo não apenas resgatar a princesa, mas casar com ela e assim ocupar o trono maior das Terras Aquecidas.

A inspiração
A Odisseia, de Homero, bem como histórias dos gladiadores que disputavam no Coliseu da Roma antiga e de piratas da idade moderna me deram o estímulo necessário para a construção da trama.
É claro, como no primeiro livro, repete-se aqui a simbologia de mitos, lendas e contos de fadas.

Capítulo para degustação

Avatares
O sol se erguia esplêndido sobre o oceano de águas violetas, o céu brilhava em um azul translúcido e as brisas frescas com o cheiro do oceano atenuavam o calor.
A maior parte da população da capital e os visitantes de outros territórios já ocupavam todos os assentos do grande estádio. Os minutos corriam, as apostas cresciam. Muitos consideravam que as qualidades combativas do príncipe sílfico aliadas aos seus dons mágicos seriam suficientes para derrubar o campeão da rainha. Outros achavam tal ideia a mais estapafúrdia, e defendiam que Cã achataria o silfo com um único golpe.
Tão logo a entrada dos competidores foi anunciada, os dois portões foram abertos. Uma histérica chuva de aplausos ecoou por toda a capital.
Cã e Áspio caminharam lado a lado até o centro do campo, e saudaram a rainha.
O camarote real estava lotado. Ali estavam Mu, Vu, Ormina e Surga, os príncipes participantes do torneio (com excessão de Spak), Ektoor e Rodrax, e as damas de companhia. De todas, Ives era a mais bela.
Ao lado da matriarca estavam dois homens. Ambos eram belos e altivos. Um era o rei Yanuk, pai de Áspio. O príncipe sílfico inflou o peito de orgulho, pois seu pai quase nunca ultrapassava os limites dos muros de Altanira, mas provando o quanto se orgulhava do caçula, tinha vindo especialmente para vê-lo e torcer por ele.
– Meu pai! O imortal que caminha na terra veio nos assistir! Uma grande honra para nós dois – sussurrou o príncipe.
Sem dúvida Cã se sentia honrado com a presença de Yanuk, mas sua atenção logo se concentrou no outro homem. Na certa deveria ser alguém da maior importância. De fato, irradiava uma nobreza superior tal qual o próprio Yanuk. Olhando o convidado ilustre com mais atenção, o duque perguntou ao silfo:
– Conhece aquele homem? Não sei quem é, mas foi com ele que conversei antes de entrar no templo de Causea, quando tive o sonho com Lílat.
Áspio também ficou surpreso.
– Não pode ser coincidência. Foi com ele que troquei palavras antes de invadir o templo de Armara e sonhar com o chamado da princesa.
Os rapazes tiveram de encerrar o assunto.
– DUELO COMO ESSE NUNCA FOI TRAVADO ANTES. JAMAIS UM PRÍNCIPE SÍLFICO PARTICIPOU DO TORNEIO DRACÔNICO, E NUNCA O VENCEDOR DO TORNEIO TEVE DE ENFRENTAR O CAMPEÃO DA RAINHA PARA ASSEGURAR SEU DIREITO AO TRONO… DUAS FORÇAS DA NATUREZA ENTRANDO EM CHOQUE. QUEM VENCERÁ: O INDOMÁVEL FOGO OU O INABALÁVEL ROCHEDO? FAÇAM SUAS APOSTAS!!
Mais uma calorosa aclamação; porém, quando os rapazes tomaram distância um do outro, o barulho foi substituído por um silêncio absoluto.
O duque observou o outro rapaz, lembrando-se das atrapalhações pelas quais vinha passando desde a vinda do príncipe. Era chegada a hora de dar o troco por todas as coisas arrancadas dele: a admiração do povo, a predileção da rainha, o posto de herói, suas armas, entre muitas outras. Afinal, o que fizera o silfo de tão espetacular?... Rechaçou as tropas de Daimos; invadiu a cidade na noite da insurreição; liderou um grande exército para marchar contra o imperador; foi ungido com o cristal fogo; salvou Cã quando ele caiu da torre mais alta do palácio depois da luta contra Daimos, e o ajudou a abrir o portal mágico para o retorno da matriarca. Ah, sem contar que superou todos os outros príncipes no torneio dracônico... Cã expirou aborrecido. Aquela era uma lista de proezas bem extensa.
Por outro lado, não foi ele, Cã, quem livrou Zylgor de Daimos, depois de atravessar as Terras Aquecidas enfrentando perigos sem fim e feras mortais? Por que então agora era desmerecido e deixado de lado enquanto aquele pavão verde ostentava suas penas lustrosas? E não era por causa de Áspio que Lílat era submetida, sem nem mesmo estar presente, ao constrangimento de ser um troféu para o vencedor de um jogo idiota? Não apenas ela, mas também Ives! Aqueles pensamentos fizeram o coração de Cã ficar duro como pedra.
O silfo alimentava uma grande expectativa de suplantar Cã. Afinal, por que um forasteiro seria o maior herói, e não ele, um legítimo zylgoriano e descendente de importante estirpe? Por que era de Cã o título de campeão da rainha, quando ele, o príncipe dos silfos, tinha em si todas as qualidades para merecer tal honraria? E por que deveria disputar com Cã o direito de casar com a princesa se tinha acabado de vencer os demais pretendentes? Se não fosse aquele estrangeiro, Áspio já teria assegurado sua posição de rei, bem como já teria conquistado Ives. E por tudo aquilo Áspio sentiu seu espírito ainda mais incendiado para a luta.
Os rapazes não portavam armas; porém, para delírio do público, ambos geraram monstros com os cristais elementais.
Cã forjou uma grande besta semelhante a um réptil, mas que se erguia tal qual um homem, portando escudo e uma maça de longa haste cuja extremidade era uma bola revestida por espinhos.
Áspio moldou uma salamandra de fogo tão grande quanto o monstro de Cã. A salamandra tinha um escudo e um mangual - um tipo de clava cujo cabo é conectado por uma corrente à sua extremidade que também é uma esfera recoberta por espinhos.
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